Água está insatisfatória em 14 pontos de Guarujá

Análises do instituto Adolfo Lutz, requeridas pela Prefeitura, são divulgadas periodicamente para controlar qualidade. Sabesp garante que índices insatisfatórios já foram corrigidos

Análises da Secretaria de Estado da Saúde, através do Instituto Adolfo Lutz, feitas em materiais coletados em diversos pontos de Guarujá, identificaram 14 locais com água em condições insatisfatórias. A análise foi requerida pela Prefeitura Municipal e é publicada periodicamente. Os laudos foram publicados na última semana no Diário Oficial da Cidade.

Além de problemas como cor aparente acima do valor máximo permitido (15 UHz) e concentração de fluoreto abaixo do intervalo estabelecido (entre 0,6 e 0,8 mg/L), as conclusões do Instituto apresentaram — na maioria dos pontos analisados — a seguinte observação: “o teor de cloro residual livre está acima do limite recomendado”.

Segundo o site da Sabesp, responsável pelo tratamento de água na Cidade e em todo o Estado, o cloro é um agente bactericida. É adicionado durante o tratamento, com o objetivo de eliminar bactérias e outros micro-organismos que podem estar presentes na água. O produto entregue ao consumidor deve conter, de acordo com o Ministério da Saúde, uma concentração mínima de 0,2 mg/l (miligramas por litro) de cloro residual. Com o mesmo objetivo, algumas localidades utilizam o método de cloroamoniação no processo de desinfecção da água (que é o caso de Guarujá). De acordo com a Resolução SS nº 50 de 26/04/1995 da Secretaria de Estado da Saúde, a água destes sistemas deve conter um mínimo de 2,0 mg/l como cloro residual total.

Nos laudos de análise e nos relatórios de ensaio do Instituto Adolfo Lutz, e também no relatório de ensaio da Sabesp publicado no Diário Oficial de Guarujá de hoje, há índices maiores e menores para cloro residual livre. Em alguns casos, o valor ultrapassa os 3 mg/L. De acordo com o artigo 39 – §2, da Portaria nº 2914, de 12 de dezembro de 2011, “recomenda-se que o teor máximo de cloro residual livre em qualquer ponto do sistema de abastecimento seja de 2 mg/L”.

A cor aparente indica o nível de substâncias que a água analisada possui. As conclusões do instituto apresentaram valores insatisfatórios em Morrinhos I e Cachoeira, com alta no índice de 25,9 UHz, em Morrinhos I, e 25,5 UHz, em Cachoeira.

Já a quantidade de flúor encontrado na água analisado estava abaixo do determinado por lei. Os índices de fluoreto estavam com baixo teor (0,5 mg/L) em bairros como Jardim Cunhambebe, Paecará, Jardim Conceiçãozinha, Sítio Conceiçãozinha, Vila Maia, Pernambuco, Jardim Enseada, Balneário Cidade Atlântica, Vila Baiana e Perequê.

14 pontos de Guarujá apresentaram condições insatisfatórias da água (Foto: Matheus Tagé/DL)

14 pontos de Guarujá apresentaram condições insatisfatórias da água (Foto: Matheus Tagé/DL)

 

Sabesp

Questionada sobre os problemas apontados, a Sabesp garantiu que a água distribuída à população em toda a Baixada Santista passa por processo de tratamento e é potável, dentro do que determina a legislação brasileira (portaria 2.914/2011 do Ministério da Saúde).

“A empresa tem seu laboratório de controle sanitário na Baixada Santista, responsável pelas coletas e análises das nove cidades da região, que é creditado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e realiza coletas diárias, semanais, mensais e semestrais, visando o controle e manutenção da qualidade da água captada, tratada e distribuída”, explica.

A companhia justificou ainda que nos endereços onde se apresentou ­alguma desconformidade em determinada amostra, novas coletas foram feitas — conforme previsto na legislação — e os resultados foram satisfatórios, comprovando que a água atendia aos padrões exigidos pela portaria.

Usuários também precisam fazer a sua parte

Para falar sobre as alterações na água analisada pelo Instituto Adolfo Lutz, a Reportagem do Diário do Litoral conversou com o bacharel em Química Ambiental e mestre em Química Orgânica, Caio Ricardo Faiad. Segundo ele, primeiramente, os usuários precisam cuidar de suas caixas d’água.

“Primeiro de tudo, o usuário precisa fazer a sua parte e limpar regularmente e de forma adequada a caixa d’água que possui em casa. Se o usuário faz a limpeza de forma adequada da caixa d’água, e mesmo assim for constatado mudanças sensoriais como coloração, odor e sabor deve comunicar à Sabesp para que esta possa verificar se o problema está no tratamento ou na distribuição da água e assim propor uma solução. Se for observado coceiras na pele, irritação nos olhos e/ou diarreia, é preciso marcar uma consulta com o médico para que este profissional verifique se esses sintomas têm conexão com a água consumida. Se houver, as agências de saúde tomarão as devidas medidas junto com a companhia de saneamento”, explica.

Sobre o alto índice de cloro residual, Faiad explica que a substância é importante para evitar futuras contaminações microbiológicas. A ausência ou concentrações muito baixas de cloro residual (abaixo de 0,2 mg/l), torna a água suspeita do ponto de vista bacteriológico. “No entanto, o excesso delas pode causar ações indesejáveis. As cloroaminas, por exemplo, produzem odor forte, coceira após banhos prolongados, irritação nos olhos. Além disso, esse cloros residuais podem reagir com compostos orgânicos e formar os organoclorados que são compostos altamente tóxicos, exemplo: trihalometanos e ácidos haloacéticos”.